ANÁLISE DA DENSIDADE BÁSICA E PARÂMETROS ANATÔMICOS DE TRÊS ESPÉCIES MADEIREIRAS NATIVAS DA MATA ATLÂNTICA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24278/rif.2026.38e974

Resumo

A Mata Atlântica é um bioma de alta diversidade de espécies. Pesquisas voltadas ao conhecimento sobre espécies madeireiras desse bioma são de grande relevância para subsidiar estratégias de conservação e manejo sustentável florestal. Este estudo objetiva determinar a densidade básica, descrever, analisar e correlacionar as variáveis anatômicas das fibras e dos elementos de vaso, incluindo comprimento, largura, diâmetro do lúmen e espessura da parede das madeiras de Pau-brasil, Vinhático e Putumuju. Foram coletados discos à altura do peito de árvores provenientes do arboreto da Estação Experimental Arnaldo Medeiros. A densidade básica foi obtida através de duas cunhas opostas retiradas dos discos. Para a anatomia, realizou-se maceração com método nitro-acético de partículas retiradas do cerne, através de três repetições, seguindo critérios da IAWA. A densidade básica variou entre 0,65 g/cm³ (putumuju), 0,67 g/cm³ (vinhático) e 0,80 g/cm³ (pau-brasil), classificando-as como madeiras de média (putumuju e vinhático) a alta densidade (pau-brasil), adequadas para construção civil, móveis e instrumentos musicais. As fibras foram curtas e de parede espessa. O putumuju apresentou fibras mais longas (752,42 µm) e paredes mais espessas (4,15 µm), enquanto o pau-brasil teve fibras mais curtas (277,30 µm) e paredes de 1,92 µm. O vinhático por sua vez, apresentou fibras de 407,77 µm de comprimento com paredes de 2,07 µm de espessura. O putumuju destacou-se por vasos mais longos (351,59 µm) e estreitos, e o vinhático por vasos mais largos (50,25 µm). Os índices indicam maior aptidão das espécies estudadas para usos estruturais que para papel.

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Publicado

2026-03-08

Como Citar

SILVA, Murilo Pereira da; VALLE, Mara Lúcia Agostini. ANÁLISE DA DENSIDADE BÁSICA E PARÂMETROS ANATÔMICOS DE TRÊS ESPÉCIES MADEIREIRAS NATIVAS DA MATA ATLÂNTICA. Revista do Instituto Florestal, São Paulo, v. 38, p. 1–14, 2026. DOI: 10.24278/rif.2026.38e974. Disponível em: https://rif.emnuvens.com.br/revista/article/view/974. Acesso em: 18 abr. 2026.

Edição

Seção

Artigos Científicos