TEMPO DE SOBREVIVÊNCIA E EFETIVIDADE DOS MÉTODOS DE ANELAMENTO E HERBICIDA NO CONTROLE DE Pinus elliotti: ESTUDO DE CASO EM FLORESTA ATLÂNTICA SECUNDÁRIA NO SUDESTE DO BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.24278/rif.2026.38e984Resumo
Pinus elliottii é uma notória espécie exótica invasora de ecossistemas campestres, contudo, pode se estabelecer também em ecossistemas florestais durante a sucessão secundária. Neste caso, a morte das árvores invasoras em pé é preferível ao corte, pois reduz os danos à vegetação nativa circundante. O presente estudo avalia o tempo de sobrevivência e a efetividade de dois métodos para matar árvores em pé de Pinus elliottii em um ecossistema florestal em regeneração: anelamento (anel de 50 cm de largura, seguido de escarificação da superfície da ferida) e herbicida (solução de glifosato a 30% injetada em três perfurações do caule). Os tempos de aplicação dos tratamentos foram registrados para cada árvore individualmente. Os tempos e taxas de sobrevivência das árvores foram monitorados ao longo de 24 meses e oito dias e comparados com o uso de modelos de análise de sobrevivência e teste binomial, respectivamente. O anelamento resultou em tempos de sobrevivência mais longos, mas as taxas de sobrevivência não diferiram significativamente entre os dois métodos. Todas as árvores do grupo controle permaneceram vivas durante o período de monitoramento. O tempo médio por árvore para aplicação do anelamento foi 2,3 minutos maior, resultando em um maior custo de mão de obra. Porém, esse custo adicional foi menor do que o custo da compra do herbicida. Nossos dados indicam que o anelamento, embora resulte em maior tempo de sobrevivência, é mais efetivo que o herbicida para matar árvores invasoras de Pinus elliottii, nas condições de solo e clima deste experimento.
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